segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Seguindo na Caminhada

Acredite, eu tenho caminhado. Não que isso seja importante, mas eu tenho caminhado. Gostaria de emagrecer, mas não sei. Minha motivação não é saúde, e sim, vingança. 
Quero estar bela, gostosa, m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a... bem longe dele. 
Para que quando ele tenha curiosidade em saber como eu estou, veja que eu estou bem. 
E eu estou bem. Estou mesmo. Estou quase incrível.
Ok, não estou tão bem.
Outro dia na caminhada um cara me abordou. Um quase vizinho. Quer sair comigo. Não entendo onde poderíamos ir, somos completamente diferentes. Eu gosto de rock, ele... Bom, ele gosta de Léo alguma coisa. Não que isso seja importante, mas ele gosta de Léo-alguma-coisa. É diferente de mim. É diferente do que eu tenho planejado para mim. 
Quando Oliver se foi, meu organismo falhou. No mesmo mês em que assistimos duas vezes a lua cheia, eu assisti também meu ciclo menstrual se repetir. Não que isso seja importante, mas repetir assim? Chega a ser perturbador. Até pensei que estava grávida. Sério, por uns dois ou três dias pensei que aquilo não era menstruação, que pudesse ser, sei lá, nosso fruto germinando. Mas não era. 
Que sensação estranha. 
Insuportável pensar que eu era a amante. 
Ok, é fácil suportar. O que não é, são as bolhas no pé. Não que isso seja importante, mas caminhar já não está tão digno assim de se fazer. Meus pés doem. Meu corpo todo dói. E meu clítoris sente falta daquela língua. Não que isso seja importante... quer dizer, isso é. 
O tempo não apaga certas coisas, infelizmente. Quisera eu, ser o seu bem-te-vi, seu angu da serra. Seu sabor de nordeste, seu atestado de cabra da peste. 
Mas o que sou e o quero ser... estão longes de se tornarem uma coisa só. 

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