quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Um pouco Conservada

O que é a vida senão uma caixinha de surpresas? 
Os dias já passam depressa, a saudade cria calos. O almoço fica frio.
O abajur que antes estava azul, pinto de vermelho. De vermelho e com chamas. Estou ardendo, o fogo me consome.
Outro dia estava caminhando e pensei tê-lo visto pela janela do ônibus que passava. Incrível o que o cérebro pode fazer com a gente, não é? Ora nos deixa presos, ora nos deixa livres. Fiquei presa na ideia que pudesse ser você. 
Já hoje, na palestra, pensei que pudesse tê-lo visto no corredor. Já não sei mais se era mesmo ou não.
Sérgio Mamberti não só palestrou sobre cultura, como também falou da cena política atual. Muita gente tirando fotos, tietando. E eu pensando se o tinha visto mesmo.
No meio daquela gente até que pude me distrair, havia uma pessoa de outro nível, interessante. Mal sabia eu que aquele ser haveria de ser o meu carma. O meu dogma. O meu anti-cristo do cotidiano.
A palestra acabou, passamos pela saída. Uma saída era o que eu buscava. Mas não aquela. 
Tantos outros vieram até mim. Tantos outros me quiseram. E eu ali, apenas coexistindo. Porque a cabeça adora fazer isso com a gente. Adora fundir com todos os nossos paladares, com todas as cores. Amarelo, azul, vermelho... já não existem mais. Tudo é uma paleta de tons cinzas.
Criei cinzas do fogo que me consumiu. Nessas cinzas reservei meu segredo, o meu amor. Gelei o restante para intacta me conservar. 
Ser intacta me fez mais forte, resistente. 
Um pouco mais conservada. Um pouco mais congelada.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O tal de Léo-alguma-coisa

Eu gosto de rock. Eu realmente gosto de rock. Mas ultimamente, tenho pulado de galho em galho.
Uns galhos mais longos, outros curtos, outros finos. E entre esses galhos, o tal do Léo-alguma-coisa
Fiquei tentada a ouvir. A ouvir aqueles braços semi musculosos, braços de quem trabalha em frigorífico, carregando boi dia sim, dia não. Logo eu, uma exímia vegetariana, considerando o [quase] vizinho suculento como uma opção para sair da fossa. Seria uma opção a se considerar seriamente... visto que, o rock anda fraco no mercado. Mas seria uma última opção. 
O amor não pode ser só música, não é mesmo? Não é isso que dita um amor, certo?
Aliás, o que dita o amor? O que faz o amor ser amor?
Eu busco essas respostas há algum tempo, mas... cadê que elas aparecem?
Eu vejo pessoas se conhecendo, flertando, namorando e até casando.
Depois, vejo as mesmas pessoas brigando, se separando, se odiando a ponto de nem se conhecerem mais. 
E então, onde estava o amor no meio disso tudo? Que entidade é essa que de repente, se desapega assim da gente?  
O amor não deve existir. 
É só mais um mito.
Uma bobagem.
Uma bobagem para algum trouxa comprar de algum outro trouxa que vende. E só.
Porque afinal, se o amor fosse tão bom assim, ele não seria propagado. Seria segredo. 
É isso. O amor é segredo. Ele existe, mas é segredo.  

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Seguindo na Caminhada

Acredite, eu tenho caminhado. Não que isso seja importante, mas eu tenho caminhado. Gostaria de emagrecer, mas não sei. Minha motivação não é saúde, e sim, vingança. 
Quero estar bela, gostosa, m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a... bem longe dele. 
Para que quando ele tenha curiosidade em saber como eu estou, veja que eu estou bem. 
E eu estou bem. Estou mesmo. Estou quase incrível.
Ok, não estou tão bem.
Outro dia na caminhada um cara me abordou. Um quase vizinho. Quer sair comigo. Não entendo onde poderíamos ir, somos completamente diferentes. Eu gosto de rock, ele... Bom, ele gosta de Léo alguma coisa. Não que isso seja importante, mas ele gosta de Léo-alguma-coisa. É diferente de mim. É diferente do que eu tenho planejado para mim. 
Quando Oliver se foi, meu organismo falhou. No mesmo mês em que assistimos duas vezes a lua cheia, eu assisti também meu ciclo menstrual se repetir. Não que isso seja importante, mas repetir assim? Chega a ser perturbador. Até pensei que estava grávida. Sério, por uns dois ou três dias pensei que aquilo não era menstruação, que pudesse ser, sei lá, nosso fruto germinando. Mas não era. 
Que sensação estranha. 
Insuportável pensar que eu era a amante. 
Ok, é fácil suportar. O que não é, são as bolhas no pé. Não que isso seja importante, mas caminhar já não está tão digno assim de se fazer. Meus pés doem. Meu corpo todo dói. E meu clítoris sente falta daquela língua. Não que isso seja importante... quer dizer, isso é. 
O tempo não apaga certas coisas, infelizmente. Quisera eu, ser o seu bem-te-vi, seu angu da serra. Seu sabor de nordeste, seu atestado de cabra da peste. 
Mas o que sou e o quero ser... estão longes de se tornarem uma coisa só.