segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Evidências

                    "e nessa loucura de dizer que não te quero, vou negando as aparências, disfarçando as evidências..."

É uma loucura pensar que a gente realmente pode prever alguns lances da vida. O emprego prestes a ser descartado, o parente que pede dinheiro emprestado, o namorado que te deixa. Algumas coisas simplesmente acontecem e antes mesmo de acontecerem você já as previu.
Você percebe que houveram evidências de que aquilo iria acontecer.
Com Oliver não foi diferente. 
A gente se encontrava em lugares quase desertos, longe do local onde sua "ex" trabalhava, então sim, havia algo errado. Mas eu não queria enxergar. 
Mesmo assim, os planos ocorreram. Uma casa simples, uma garotinha para contar a história de como nos conhecemos. Uma filha, uma criança. Eu, a amante dos tempos modernos, louca pelo empoderamento feminino, louca por independência, louca para morar sozinha, pensando em ter filhos? Algo estava muito errado. 
Por fim, o que ocorreu foi apenas uma dedicatória de uma música romântica ao final de uma semana sem nos vermos. "Eu tentei juntar vocês dois" dizia o destino, em parte da música. Ah, tá explicado então... A culpa agora é do destino. Sei.
O fato é, que se eu estivesse atenta a tantos indícios de o caminho não nos levaria a lugar algum, eu teria parado o percurso. Teria interrompido o romance, antes que o destino pudesse tomar conta.
Não nos víamos aos finais de semana. Sempre havia um problema ou com o filho ou com ele. Estranhamente, nunca havia problema durante os dias da semana...
Estávamos bem até, tudo parecia ir se encaixando, quando Oliver me disse para eu ir conhecer a sua mãe. Fiquei extremamente chocada. Mas depois, feliz. Acho que no fundo eu imaginava que por ele não querer sair comigo durante o dia e ir em locais diferentes, que sim, ele tinha o rabo preso. Fosse com a ex, fosse com outra. Porém, ao me dizer que gostaria que eu conhecesse a sua mãe, eu floresci. Me abri a todas as oportunidades. Acreditei que íamos dar certo.
Convidei Oliver para o meu aniversário. Iria apresenta-lo aos meus amigos, à minha mãe. Estava decidida. No entanto, ele não veio. Meu deu bolo, e não foi um bolo saboroso.
Morri por dentro.
Sabia onde ele trabalhava e no dia seguinte, tremendo de nervoso, fui até o seu serviço. De branco, ele ficou pálido. Deu uma desculpa de que não havia recebido, por isso não comprou presente, por isso preferiu não ir. Eu não acreditei, óbvio.
Daí em diante, não nos falamos mais por uns dias. Ao final dessa semana, a tal música do destino.
Passara uma semana do bolo-não-saboroso, e eis que o aniversário agora era dele. E nas redes sociais, quem é que faz o discurso mais apaixonado de felicitações? Não, não fui eu.
Sim, foi ela. A "ex". Que de ex, não tinha nada.
Era o fim das evidências. Estava lá, explícito. Escancarado para quem quisesse ver.
E agora, o que mais eu poderia fazer?
Parti para as caminhadas, parti para as músicas bregas. Saí de cena sem muitos alardes, segui em frente sem muita escolha.
O passo não foi digno, a transformação não foi feliz.
As borboletas vieram em sonho. Milhares delas. Todas carregavam ele.
Black, uma amiga, disse que as borboletas era sinal de coisa boa. De libertação. Um arquétipo legal.
Até hoje, não descobri direito o que significa arquétipo e nem o que o sonho quis me dizer.
Mas ao final dessas histórias todas do blog, vocês verão que as borboletas não quiseram ficar só no sonho...
Eu não sabia ainda, mas elas, na verdade... eram evidências.


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